É na pele de Ruth de Souza, uma das maiores atrizes negras do país, que Eli Ferreira retorna às novelas em “Garota do Momento”. Depois de brilhar como a professorinha Lu, no remake de “Renascer”, o retorno da artista não poderia ser de forma mais forte, mais representativa. Aliás, o talento de Eli também vem sendo reconhecido em trabalhos no cinema e no streaming. É dela um dos papéis centrais da minissérie “Máscaras de Oxigênio (Não) Cairão Automaticamente”, prevista para ser exibida, este ano, na Max e na HBO, indicada para representar o Brasil no Berlinale Series Market, evento do Festival Internacional de Cinema de Berlim, em fevereiro. No cinema, ela será vista em Na Linha de Fogo, produção do AfroReggae Audiovisual, em parceria com Globo e Disney, em breve nas telonas. E para coroar a boa fase, ela estará, em março, no desfile da Estação Primeira de Mangueira, em um dos carros da escola de samba, que vai contar a história dos povos bantos e da negritude carioca na Marquês de Sapucaí.
Começar o ano assim, interpretando Ruth de Souza, soa como um bom presságio do que vem por aí na carreira de Eli, que também esteve nas novelas “Mar do Sertão”, “Tempo de Amar” e “Órfãos da Terra”. “Fazer parte dessa homenagem tão bonita e numa novela tão bem escrita, que está sendo muito bem aceita pelo público, com uma equipe, direção e elenco fantásticos, é de uma alegria imensa. Classifiquei essa honra como meu primeiro presente de 2025!”, comemora a artista, que fica na trama das 18h, a princípio, por 16 capítulos.

No folhetim de Alessandra Poggi, Ruth vai incentivar Beatriz (Duda Santos) a estudar e se tornar atriz. “Será a primeira pessoa a ver esse ‘brilho e talento’ nela. Na vida real, Dona Ruth fez isso, só que com gerações e gerações, já que ajudou a abrir caminho para nós”, afirma Eli, que recorreu a entrevistas, documentários sobre a grande Dama Negra da dramaturgia brasileira para vivê-la com mais propriedade.
O streaming também vem prestigiando Eli. Aos 33 anos, 14 deles dedicados à profissão, a atriz das séries “Cidade de Deus: A luta não para” (Max e HBO), “Sentença” (Amazon Prime) e “Santo” (Netflix), está na minissérie “Máscaras de Oxigênio (Não) Cairão Automaticamente”, uma produção da Morena Filmes, ainda sem data de estreia, que retrata a epidemia da AIDS no Brasil, que estourou nos anos 1980.
“A minissérie vai contar a história dos primeiros comissários de bordo que começaram a trazer ilegalmente para o Brasil os remédios de tratamento, quando ainda eram proibidos no país”, conta a atriz, intérprete de Iara, comissária chefe que estuda para ser pilota e se vê em um dilema, após ter um familiar soropositivo. “É uma história emocionante e um roteiro fantástico”, completa.
A expectativa, agora, é pela exibição de “Máscaras de Oxigênio (Não) Cairão Automaticamente” no festival em Berlim. Tanto o público quanto o elenco assistirão pela primeira vez ao drama, assinado por Patrícia Corso e Leonardo Moreira. “É um misto de alegria e ansiedade! Ainda não vimos e será exibido lá (no festival)! Sem contar que o mundo, de certa forma, está com atenção voltada ao cinema brasileiro com as indicações de ‘Ainda estou aqui’”, diz ela, empolgada.
E em breve, a atriz também será vista nos cinemas com “Na Linha de Fogo”, vivendo a policial Nathalia. Com roteiro de José Junior e João Paulo Horta, a história aborda a luta pelo controle territorial entre traficantes e forças policiais e o impacto desta violência na vida dos moradores das favelas do Rio de Janeiro.
Ver trabalhos nos quais está no elenco de maneira contundente, serem reconhecidos dentro e fora do país, faz a moça nascida em Belford Roxo, Baixada Fluminense, confirmar que o caminho escolhido era mesmo o da atuação. Mesmo que o início da carreira tenha sido como modelo.
“Fazia trabalhos esporádicos, participei de alguns concursos de beleza, e foi isso que me possibilitou pegar a grana de um dos prêmios e investir num ensaio fotográfico para começar a trabalhar. Entrei numa agência de publicidade e fiz diversos comerciais, nem sei quantos (risos)! Mas meu foco sempre foi a atuação. Então, paralelo a isso, estudava teatro, dança e canto. Aliás, estudo até hoje, não dá para parar.”