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Seminário sobre radicalidade negra e formas de sobrevivência em tempos de ameaças têm painéis com lotação máxima, na Escola da Cidade

O seminário Reflexos do espelho de Oxum: a radicalidade negra perante a branquitude, promovido pelo Observatório da Branquitude nesta sexta-feira

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O seminário Reflexos do espelho de Oxum: a radicalidade negra perante a branquitudepromovido pelo Observatório da Branquitude nesta sexta-feira, 7 de fevereiro, recebeu um público bastante atento às mesas e discussões do programa , que se contextualizam no passado de desumanização e de sofrimento impostos à população negra, mas com uma mensagem clara de resistência e um olhar para o futuro com novas perspectivas, por meio da arte, cultura, ancestralidade e pensamento crítico coletivo. Os organizadores estimam que, durante o evento, mais de 120 pessoas inscritas participaram dos encontros, tendo havido também procura por vagas remanescentes.

A manhã de sexta-feira na Escola da Cidade — Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, na Vila Buarque, centro de São Paulo, se iniciou com a mesa Desvendando Projetos de Dominação, conduzida por Thales Vieira, com a participação de Mikaelah Drullard, transativista caribenha — autodenominada mexicana, não por cidadania, mas por cruzar a fronteira fugindo da desumanização de seu corpo negro e trans —, de Neon Cunha, mulher, negra, transgênero, referência na luta por direitos humanos e de pessoas LGBTQIAPN+ no Brasil. Bianca Muniz, jornalista da Agência Pública, de jornalismo investigativo independente, também contribuiu com a discussão falando sobre o projeto Escravizadores, mapeamento inédito sobre os antepassados de mais de cem autoridades brasileiras do Executivo e Legislativo para identificar casos de uso de mão de obra escravizada.

O seminário Reflexos do espelho de Oxum: a radicalidade negra perante a branquitude, promovido pelo Observatório da Branquitude nesta sexta-feira
Mikaelah Drullard transativista caribenha durante seminário em São Paulo – Foto: Juliana Gonçalves

“O que vamos fazer sobre o momento atual? [Governo Trump] E eu proponho: vamos resgatar e preservar a memória. O projeto da branquitude é sempre rejeitar e acabar com a memória. Se tiram a memória, é como se essas pessoas nunca tivessem existido”, reforçou Mikaelah Drullard durante análise da radicalidade como forma para subverter as imposições da branquitude.

A mesa Dissonâncias Criativas contra a Supremacia Branca, mediada pela pesquisadora negra Nathalia Grilo, contou com contribuições do produtor cultural, professor universitário e artista afro-periférico Salloma Salomão e do arquiteto e mestre em Semiótica Urbana Alexandre Salles.

“Nós não temos referências nas materialidades da sociedade. Tudo vem da branquitude. Toda associação de construção de espaço ligado ao ao negro é perjorativa. Um exemplo é o arcabouço da favela. O estereótipo. Tenho tentado entender essas dinâmicas e me apropriar disso. Vou hackeando esses espaços, que são majoritariamente brancos, com certa apropriação do trabalho e da perspectiva negra”, revelou Alexandre Salles.

Segundo Nathalia Grilo, “as dissonâncias criativas são importantes não para estar a todo tempo questionando as concepções da branquitude, mas sim por serem uma maneira de nos posicionar e enxergar o mundo pelas nossas próprias semânticas e concepções”.

O terceiro e último painel do seminário, sobre Justiça Climática, Ancestralidade e Território: a vida como resistência, teve como mediador o transmasculino, quilombola, biólogo, mestre em Sustentabilidade e doutorando em Antropologia Social Jackson Cruz RMagalhães. Foram painelistas a ativista social, ambientalista e candomblecista Ekedy Sinha e o escritor, professor, ator e ativista indígena brasileiro originário do Povo Munduruku Daniel Mundukuru. A mesa fez reflexões sobre o papel dos povos de terreiro e dos povos indígenas em questões relacionadas ao uso da terra, ao respeito e à preservação de recursos naturais.

Clayton Nascimento em ato da peça Macacos durante seminário em São Paulo – Foto: Juliana Gonçalves


Ao início da roda de conversa, Jackson Cruz Magalhães reforçou a importância da memória.“Sempre falamos sobre preservar os recursos que ainda temos para que as gerações futuras tenham o que utilizar, mas não falamos de olhar para trás e entender o processo que nos trouxe até aqui”.

Sobre a cultura dos povos de terreiro, Ekedy Sinha pontuou a essência do candomblé. “A gente cultua as pessoas como iguais. A gente se olha como iguais. A nossa religião é a do respeito, do acolhimento. No século 21, é inacreditável que ainda se sofra violência religiosa em um país que se diz laico. Se eu estou aqui para falar, é porque ainda precisamos fazer algo sobre isso”.

“As ancestralidades brasileiras foram esquecidas no momento de compor a identidade brasileira; nós aprendemos a não olhar para o passado. O discurso do colonizador nos fez não gostar do nosso passado. E quando a gente olha para esse passado, encontramos os indígenas e os negros. Nós somos os ancestrais dos que virão depois. Temos responsabilidade sobre o que fazemos com o tempo e com o agora”, finalizou Daniel Munduruku.

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Última atualização em: 8 de fevereiro de 2025 às 11:35

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